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Cães trabalhadores – by Lou de Olivier

Cães trabalhadores – by Lou de Olivier

Ao receber um release sobre o constrangimento de uma turista cega que foi impedida de transitar na praia com seu cão-guia, resolvi pesquisar melhor sobre isso. A princípio tratou-se de um mal-entendido que, depois de muita confusão e constrangimento, acabou sendo esclarecido pelo comandante da PM e a turista gaúcha Olga Souza, pode enfim, passear com seu cão-guia, Darwin, em Balneário Camboriú.

Enquanto muitos se dividem discutindo se o cão tem ou não direito de andar pela praia, se a dona dele tem ou não direito de ser guiada por ele em horas de lazer (ou seja, fora de seu trabalho) e até há quem afirme que é preciso uma reeducação da população para “aceitar” o trabalho do cachorro, eu pergunto:

E o direito do cão-guia? E que trabalho é esse sem remuneração, sem direito algum?

Pesquisando melhor, verifiquei as condições dos treinamentos e da vida toda desses pobres cães.

Segundo artigos de Yuri Vasconcelos (Mundo Estranho 18 abr 2011, 18h48 – Atualizado em 19 ago 2016, 17h3) e Jennifer Ann Thomas (Planeta Sustentável – 09/2014) – Ambos com o mesmo título “ Como são treinados os cães-guia para cegos?” e ambos publicados pela Editora Abril, esses animais começam a ser “adestrados” ainda filhotes. Após o nascimento, por volta dos três meses de idade, o cãozinho é adotado inicialmente por uma “família de acolhimento”, que lhe dá um treinamento básico de obediência e de socialização. Ele é ensinado a sentar, deitar, ficar parado, agir em lugares públicos (metrôs, carros, restaurantes, etc.) O cão permanece com esta família voluntária até completar um ano de idade.

Então ele volta ao canil para passar por treinamento específico, em média, durante seis meses, quatro vezes por semana, duas vezes ao dia”, “Durante o treinamento, o animal precisa demonstrar certas características (ser paciente, não ser agressivo nem assustar-se com facilidade) para não ser descartado. Como assim, descartado???

As raças mais usadas (ou seria, abusadas?) para a condução de cegos são o labrador, o golden retriever, o pastor alemão, o boxer e o collie de pelo longo ou curto. Por terem características adequadas à função, segundo a advogada Monica Grimaldi, da Associação Cão-Guia de Cegos, de São Paulo.Mais importante do que a raça, no entanto, é o próprio cão. Ele precisa ser um animal muito especial, com temperamento dócil e dotado de extrema paciência e determinação”, diz ela. Machos ou fêmeas podem ser usados para a função.

Voltando ao canil, para continuidade de treinamento, ele passa a usar a guia, espécie de “colete” com uma alça rígida com função de comunicação com o humano. O cão aprende que , enquanto está usando o acessório, está “trabalhando”, quando o libertam do “acessório” ele está “livre” para agir como um cãozinho comum, ou seja, pode brincar e se comportar como um cachorro que é o que ele é o tempo todo mesmo que lhe neguem este direito. O treinamento segue por cinco a oito meses e é bem completo, inclui desde aprender a não sair da rota até “desobedecer” a voz do dono quando, por exemplo, há um buraco e o dono cego insiste em caminhar por ele. É o cão que deve, nestes momentos, decidir o melhor caminho para ele e para o dono…

Depois de habilitado, o cão começa a ser treinado com o futuro dono, se um dos dois não se adaptar, termina ai, se houver adaptação, o cão vai começar a aprender onde fica a casa, trabalho e outras referências pessoais. E, entre os comentários do treinamento, uma afirmação, no mínimo, polêmica: “quando o treinador (e depois o dono) do cão-guia se acomoda em algum lugar, o bicho deve sempre ficar sentado ou deitado ao seu lado no chão, mas nunca no colo ou no banco”.

O cão trabalhador, que não tem direito sequer a sentar-se no colo do dono quando está “a trabalho”, é avaliado uma vez ao ano até os nove anos, quando começa a ser avaliado a cada seis ou quatro meses para saber quando está na hora da “aposentadoria”. Há casos de cães que trabalharam até os doze anos. Ao se aposentar, o cão pode continuar com o dono ou, se este não tiver condições de cuidar dele, volta ao canil e entra para adoção. Sem dúvida, é caso para se pensar e mudar não só por serem usadas determinadas raças criadas exclusivamente para este fim, mas também porque estes cães são privados de direitos básicos como ter carinho sem hora marcada e ter uma família definitiva que os ame, já que passam por diversos lares e canis durante sua existência que acaba no abandono, já que dificilmente alguém adotará um cão com nove a doze anos e depois de ter trabalhado tanto…

O investimento neste treinamento desses cães não fica muito claro, enquanto o artigo de Yuri Vasconcelos cita “no canil Sambucan, o treinamento completo custa cerca de 6 mil reais”, artigo de Jennifer Ann Thomas cita “há centros de treinamento especializados no serviço, financiados por ONGs ou pelo governo, e eles arcam com todo ou quase todo o custo (de R$ 35 mil a R$ 45 mil)” mas o que proponho é que comecem a estudar uma forma de investir esta verba em treinamento de pessoas. Há tantas pessoas desempregadas não só no Brasil mas no mundo atualmente, poderiam ser treinadas com mais rapidez e eficiência para acompanhar pessoas cegas. Empregaria os desempregados, daria uma vida mais digna a quem hoje luta para conseguir um emprego e livraria esses cães deste fardo. Porque ninguém merece nascer, viver para trabalhar sem sequer ter uma casa e uma família em definitivo e terminar os dias abandonado num canil (ou asilo? Já que isso ocorre com muitos humanos também). A vida tem que ser bem mais do que isso, para animais e para humanos também.

Numa próxima oportunidade, pretendo abordar outros tipos de “trabalho” impostos aos cães. E convido a todos assistirem aos vídeos educativos do vampirinho vegano tanto em animação quanto em esquetes teatrais ensinando veganismo de forma lúdica e teatralizada. As animações podem ser assistidas no site oficial onde também estão disponíveis todos os vídeos da Mega-apresentação teatral Vegana que aconteceu entre 03 e 10 de fevereiro de 2017. Acesse: http://soluavampirinhovegano.com

Saiba mais sobre acolhimento de animais abandonados. Acesse: https://animangels.wordpress.com

Saiba mais sobre os treinamentos dos cães-guia nos links:

http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/atitude/como-sao-treinados-os-caes-guia-para-cegos-802194.shtml

http://mundoestranho.abril.com.br/mundo-animal/como-sao-treinados-os-caes-guias-de-cegos/


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