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Veganismo: Anna Lou Olivier responde perguntas sobre…

3 de novembro de 2017 2 comentários

Assista em vídeo ou leia o texto na sequência

 

Olá! Eu sou Anna Lou Olivier (Lou de Olivier) e hoje responderei a 13 perguntas feitas pelo ativista Animadruga. Na verdade é uma entrevista que ele fez, com perguntas bem complexas, que estou respondendo neste post. Quem quiser comentar as perguntas dele e/ou minhas respostas, fique à vontade. Vamos lá responder?

Oi. Se importaria de gravar um vídeo respondendo 13 perguntas sobre direito dos animais e se deveríamos ser éticos? Se puder por favor me avise. São essas:

1- Se podemos matar a fome sem comer os animais, e ainda sermos saudáveis, então por que comer os animais?

R – A desinformação causa este tipo de situação. A maioria das pessoas desconhece que pode se alimentar sem comer nada de origem animal. São poucas as pessoas que se dedicam a explicar sobre veganismo de forma objetiva, há muitas informações desencontradas. Muitos artigos comprovam necessidade de ingerir produtos animais e os artigos que defendem o vegetarianismo/veganismo são escassos e sem grandes fundamentações. Eu, por exemplo, tornei-me vegana estudando Medicina Comportamental, numa aula de Neurologia. Na época eu era ovo-lacto, mas comia carne e peixe esporadicamente. Depois dessa aula, parei de ingerir carne em definitivo e passei a pesquisar mais a fundo. Ao viajar, passava muita fome, pois ninguém sabia o que é veganismo. Em 2010 idealizei o vampirinho vegano que ensina veganismo baseado em Medicina e Nutrição, além dos direitos dos animais. Hoje, este projeto está consolidado em três e-books em Português, um em Inglês, cartilha, camisetas, quatro desenhos animados que fiz sozinha por falta de verba e apoio. Já aconteceu também a Mega-apresentação teatral vegana que reuniu seis elencos teatrais em seis (cidades) estados brasileiros. Em consideração ao meu prestígio como Dramaturga, eles se apresentaram gratuita e simultaneamente, todos coordenados por mim. A maioria dos elencos se interessou pelo veganismo a partir dos ensaios da minha peça. Isso reforça a ideia de que, se houvesse mais informação bem fundamentada, muitas pessoas se interessariam mais pelo veganismo. E um detalhe importante, nesta Mega-apresentação, só nas apresentações presenciais foram duas mil crianças e mais de duzentos adultos que assistiram. Depois disso, foi postado no site oficial e até hoje está sendo assistido. 

2- Qual critério os veganos adotam para definir quem deva ter direito (a vida e a liberdade)? E por que os veganos consideram esse critério relevante?

R – Esta pergunta é complexa, na medida em que existem até listas de critérios adotados pelos veganos e justificativas para o veganismo. Sendo assim, seria improdutivo enumerar todos estes critérios. Então, respondendo por mim, na minha opinião, o que precisa acontecer é uma mudança de consciência. As pessoas precisam entender que os animais são seres sencientes que merecem respeito e direito à vida, mas elas também precisam entender que, alimentando-se sem nada de origem animal, estão fazendo bem para a própria saúde delas e para o meio-ambiente. Na minha opinião, isso resume todos os critérios e justificativas para o veganismo.

3- Qual critério os não-veganos adotam para definir quem deva ter direito (a vida e a liberdade)? E por que os não-veganos consideram esse critério relevante?

R – Esta é uma pergunta que deveria ser feita aos não veganos e até mesmo geraria um debate entre os veganos e não-veganos. Mas, da mesma forma que veganos tem lista de critérios e justificativas, os não veganos também tem. Eu acho improdutivo ficar discutindo quem tem razão. Para mim, o mais produtivo é plantar uma nova consciência que é o que faço com palestras e com o projeto Vampirinho Vegano. Todas as pessoas que assistiram minhas palestras e/ou viram apresentações do vampirinho vegano se conscientizaram da necessidade de mudança na sua alimentação e na forma de entender a natureza e os animais. Acho que isso é bem mais produtivo do que ficar discutindo indefinidamente quem tem ou não razão. Até porque cada um tem seus argumentos e sempre acha que tem razão. Tem até um velho ditado que cita: “você quer ser feliz ou quer ter razão?” Vamos refletir sobre isso?

4- É ético tratar alguém de outra espécie como uma propriedade? Vc se classifica como dona ou como tutora de um animal que cria?

R – Não é ético tratar ninguém como propriedade nem de outra e nem da mesma espécie. Como Multiterapeuta, preciso admitir que não é nada saudável se relacionar com outro ser humano ou animal em nível de posses. No meu caso, não me considero nem dona nem tutora. Para mim, ele é um ser que convive comigo, eu o trato da melhor forma possível e ele escolheu estar comigo. Foi ele que veio a mim, eu não fui buscá-lo. Acho que, se um ser chega à sua porta e pede ajuda, você deve acolher. Foi o que fiz. Só isso. Ninguém é dono de ninguém. Em nenhum nível.

5- Vc concorda que os animais são seres pertencentes a categoria de vulneráveis? Vc concorda que todo uso que se faça de um vulnerável, que não pode consentir, é abuso?

R – Sim, os animais são vulneráveis. E concordo que ninguém em situação de vulnerabilidade deva ser usado ou sofrer bullying ou ser judiado ou morto. Isso inclui crianças, idosos e todos os seres fragilizados. Friso que defendo todos os seres indefesos. E os animais fazem parte da minha defesa.

6- Por que as leis de bem-estar animal vigentes consideram que os animais são bem tratados nos rodeios, abatedouros e laboratórios? Os animais estão tendo os seus interesses respeitados?

R – Não, os animais não estão tendo seus interesses/direitos respeitados. Mas, quanto a Leis, implicaria em explicar algo extremamente complexo que é a política. Como são feitas as Leis, como são defendidas e votadas. Eu levaria horas para explicar tudo. Então, apenas vou resumir que as Leis não são feitas para atender minorias. Elas atendem interesses da maioria considerada dominante e nem sempre são justas. Se tiver interesse em saber mais sobre política, assista este vídeo em que falo resumidamente de minhas pesquisas e de política. https://youtu.be/tSyM018vup0 OBS: É um resumo de diversos debates televisivos em que eu participei, portanto há outros temas terapêuticos e artísticos também. Mas é um vídeo curto, pouco mais de 17 minutos com muita informação, que inclui como funciona o sistema político. Vale a pena assistir.

7- Respeitar os animais deve ser algo moralmente opcional ou moralmente obrigatório? Vc imporia o respeito aos animais ou permitiria o abuso de animais?

R- Eu busco o equilíbrio em tudo. Penso que o equilíbrio é a base para a verdadeira paz. Então penso que nem deve ser opcional e nem obrigatório. Deve ser, como sempre friso, uma mudança de consciência. Se as pessoas são bem informadas e elevam sua consciência, elas mudam moralmente, elas mudam seus costumes. Se elas não se conscientizarem, nada mudará.

8- Uma pessoa que faz sexo com um animal sem o consentimento do animal deveria ser presa?

R – Aqui eu preciso abrir uma reflexão. Antes de se pensar em prisão, punição, é preciso analisar o que levou este indivíduo a se relacionar com um animal. Como Multiterapeuta, já assisti alguns casos de pessoas que se envolveram com animais, se apaixonaram por animais. Não vem ao caso entrar em detalhes, mas há casos em que a pessoa tem um desvio, uma disfunção e precisa de tratamento. Obvio que há casos em que a pessoa age apenas por depravação. Então, é preciso analisar cada caso e entender se a pessoa se relaciona com o animal por ter um desvio/disfunção ou apenas por prazer/devasso. Só depois dessa avaliação, pode-se pensar em punição. Questiono também a prisão que não reabilita ninguém. Ao contrário, em muitas ocasiões, pessoas submetidas ao sistema prisional, acabam mais desajustadas. E ainda há a questão do proibido, então, muitas vezes, a prisão faz o indivíduo se motivar a fazer o proibido justamente pelo risco de ser preso.

Tudo isso deve ser pensado antes de se questionar prender ou não alguém. Não sei se estou me fazendo entender, mas esses são os principais pontos que devem ser analisados antes de se sugerir que alguém seja preso. Até porque, quem conhece o sistema prisional, especialmente no Brasil, sabe bem que prisão quase nunca significa solução… A questão é muito complexa, não dá para explicar em detalhes, mas espero ter elucidado de forma simples esta questão.

9- Uma pessoa que come o corpo de alguém de outra espécie, sem o consentimento desse alguém, deveria ser presa?

R – Levando em conta que já expliquei a questão da prisão, só posso acrescentar que comer produtos de origem animal já é uma prisão, já faz muito mal ao organismo humano e isso só não é mais divulgado por esbarrar em interesses comerciais. Então, quem come carne e outros produtos de origem animal já está escravizado. Acho que, quem deveria ser preso, é o profissional que, sabendo dos bastidores da alimentação, divulga conselhos para as pessoas comerem carne e outros produtos animais. São vários os profissionais considerados renomados que defendem este tipo de alimentação. E ai, como rebatê-los?

Eu não fui a única que assistiu aquela aula de Neurologia, mas fui a única que saiu divulgando o veganismo…Onde estão os outros profissionais que estudaram comigo? E os “renomados” que lançam seus vídeos e, em minutos, viralizam porque tem “audiência garantida” e propagam mitos sobre alimentação com produtos de animais… Porque meus vídeos têm vinte ou trinta visualizações enquanto os deles têm milhões? Tudo isso deve ser questionado antes de imaginar que alguém deva ser preso porque comeu o corpo de um animal. Concorda?

10- Numa sociedade civilizada, as pessoas deveriam ter direito de exercer sua religião sacrificando gatos, galinhas, fazer abate halal e etc.. para os seus deuses? Ou deveriam ser proibidas? Se deve proibir a prática de uma fé quando essa fé visa matar alguém que não quer morrer?

R – A questão religiosa envolve vários pontos. Antes de falar sobre isso, friso que passei por muitas religiões ocidentais e orientais, há muitos anos estudo arqueologia, história e teologia, inclusive estudo as Escrituras em Hebraico. Por isso, penso estar apta a responder esta questão.

Em primeiro lugar, é preciso saber, como já disse no vídeo “Veganismo é religião?”, há diversos segmentos religiosos adeptos do vegetarianismo e veganismo. Há comunidades judaicas, cristãs, espíritas, entre outras que são vegetarianas/veganas, há também adventismo e budismo que pregam vegetarianismo/veganismo dentro de suas crenças, há até segmentos de candomblé/umbanda que seguem o veganismo. Portanto, é perfeitamente possível seguir uma crença religiosa e ser vegetariano/vegano.

Porém, a questão religiosa vai além. Religião significa religação. Houve uma ruptura e há necessidade de religação. É nesta religação que ocorrem rituais e deve-se entender que quem precisa de ritual é o ser humano, não os deuses ou o universo. Entendo que somos regidos por uma força superior, inclusive superior a esta matrix em que vivemos. Esta força superior é pura Luz, se é Luz não precisa de velas, de sangue, comidas, ou seja lá o que for que o ser humano imagina ser necessário. Isso e ritual, quem precisa disso é o ser humano que busca se conectar. Portanto, religação busca conexão e não necessita de nenhum ritual. Em resumo, qualquer ritual é desnecessário, pior ainda se envolver a morte de algum ser. Esta questão é bem complexa. Espero ter explicado de forma resumida. Quem tem interesse em se aprofundar, pode acessar o meu site http://luzdoeterno.eco.br que encontrará muitos temas explicados de forma aprofundada.

11- Culturas tradicionais como touradas, rinhas, circos com animais, farra do boi, vaquejadas, rodeios, charretes, foie gras (figado de ganso), andam sendo proibidas por lei em vários lugares. Impor o fim de tais praticas é um avanço ou regresso? Criar leis para proteger os interesses dos animais melhora ou piora as culturas?

R – Tudo depende da cultura e de cada um, então há culturas (e pessoas) que podem respeitar as Leis, há culturas (e pessoas) que podem desrespeitar justamente pelo prazer de fazer algo proibido. De uma forma geral, como já frisei, há necessidade de elevar a consciência das pessoas. Elevando a consciência, nem há necessidade de Leis, as pessoas passam a ter atitudes mais altruístas e conscientes porque elevaram o nível de pensamento e não porque alguém proibiu por lei.

12- Vc já chegou a preparar/comer versões veganas de feijoada, sushi, moqueca, estrogonofe, vatapá, hamburguer, nugget, salsicha, linguiça, coxinha, lasanha, yakisoba, sopa, risoto, pizza, queijo, bolo, torta, brigadeiro? Se já comeu, as versões veganas são mais gostosas ou menos saborosas que as versões feitas de corpos mortos de animais/secreções de animais?

R – De todas estas comidas que você citou, as que eu comia antes de me tornar vegana, ou seja, sushi, lasanha, bolo e pizza costumam ser mais saborosas na versão vegana. Pratos como estrogonofe, yakisoba e risoto eu comia raramente e parei de ingerir ao me tornar vegana. Comi só uma vez moqueca e não gostei. Nunca comi vatapá nem uma feijoada completa. Estes pratos nunca fizeram parte da minha alimentação. Coxinha eu comia quando era criança, não comi mais na fase adulta. Enfim, para mim, veganismo é mesmo uma nova consciência, inclusive alterando os pratos consumidos.

13- Qual é o melhor argumento contra o veganismo/direito dos animais?

R – Esta também é uma pergunta que envolve o pensar dos não veganos. Mas eu penso que, quando há um bom argumento, o contra-argumento não existe. No meu caso, como já relatei, todas as pessoas que assistiram minhas palestras e/ou viram apresentações do vampirinho vegano se conscientizaram da necessidade de mudança na sua alimentação e na forma de entender a natureza e os animais. Porque eu explico de uma forma tão obvia e bem fundamentada em Medicina, Nutrição , ecologia entre outras áreas que é impossível alguém questionar. Até hoje, só algumas pessoas questionaram a necessidade divulgada pela Ortomolecular que cita o sangue tipo O necessitado de carne para obter saúde, mas eu tenho argumentos convincentes para isso também. Então, o questionamento para quando a explicação é completa e bem fundamentada. Penso que falta esta abordagem ampla para que mais pessoas entendam o veganismo e se tornem veganas conscientes.

Bem, espero ter respondido bem suas questões, animadruga. Fique à vontade para comentar. Quem tem dúvidas, comentários ou perguntas pode escrever aqui, clique aquiQuem quer saber mais pode acessar:

http://soluavampirinhovegano.com.br

http://anavegana.loudeolivier.com

http://loudeolivier.com

Assista esta entrevista em vídeo

 

ou neste link: https://youtu.be/HRabZN6uTao

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Entrevista exclusiva com Lou de Olivier para Revista Psique

7 de agosto de 2017 Deixe um comentário

Já nas bancas a edição 138 da Revista Psique Ciência e Vida que traz uma entrevista exclusiva com Lou de Olivier  abordando Distúrbios de Aprendizagem, com ênfase em Dislexia sob vários aspectos mas citando também Dislalia, Distúrbio Específico de Linguagem, Síndrome de Irlen,explicando sua técnica de Multiterapia e, entre outros temas, a baleia azul. Confira a entrevista e outros importantes temas abordados nesta edição. Peça ao seu Jornaleiro.

Fonte: Entrevista exclusiva com Lou de Olivier para Revista Psique

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