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Posts Tagged ‘solidariedade’

Loja virtual solidária em 39 portais

15 de maio de 2017 Deixe um comentário

Notícia boa é assim, se espalha rapidamente. Tão logo lançamos, a divulgação já foi publicada por 39 portais e agências de notícias entre as quais:

 

Agência O Globo, clique aqui,

 

 

Agência Estado (AEMídia), clique aqui,

 

 

The São Paulo Times, clique aqui

 

E mais 36 portais. Confira mais esta iniciativa de Lou de Olivier!

Vó Dora – por um doce compartilhar

18 de janeiro de 2017 Deixe um comentário

Em 1997 quando acessei a Internet pela primeira vez, só havia um provedor, o UOL (Universo Online). Havia também o Zaz (que acabou virando Terra), mas o UOL parecia mais confiável, por isso, o escolhi. Meu plano dava direito a uma única página como site e eu a publiquei com meus dados, uma foto e um pequeno artigo. No início eu utilizava a Internet apenas para complementar minhas pesquisas sobre anoxia perinatal/hipoxia neonatal. Eu estava em fase final de pesquisas práticas e já a havia fundamentado em livros impressos e confesso que não encontrei muito na Internet, mas serviu para me familiarizar com o sistema. Terminada (e fundamentada) a pesquisa, eu a enviei para ser publicada em alguns sites educacionais e agora era hora de defender minha ideia/tese e, na sequência, fui voluntariar numa clínica de dependência química. Com todas essas atividades, em áreas tão divergentes, a minha Internet ficou esquecida até final de 1998.

Foi no final de 1998 que voltei a me conectar e só então pude explorar mais os recursos da Internet.

Era uma grande diversão acessar os chats e outros serviços oferecidos. E o mais interessante, muitas vezes, acessávamos chats do Zaz, mas o UOL também já oferecia alguns chats bem interessantes. Passei um mês conectando-me o dia todo e participando de chats e fóruns, até que veio a conta telefônica. Naquela época era Internet discada e a minha conta veio astronômica. Tive que negociar a dívida e passei a conectar só para baixar e-mails e os lia em off…

Mais alguns meses e um amigo poeta descobriu a “novidade”. A conexão após a meia-noite contava como um só pulso telefônico, ou seja, podíamos conectar a partir da meia-noite e teclar até as seis da manhã que só gastaríamos um único pulso… Ah, foi uma festa! Passei a escrever artigos e publicá-los no meu site e também em portais nacionais e internacionais. Descobri alguns sites de hospedagem gratuita, entre eles, o GeoCities, o Tripod e o HPG. Primeiro eu criei diversos sites e os publiquei com diversos endereços e, na sequência, criei um portal imenso, eu mesma fiz todas as 300 páginas, depois de um curso de oito horas de Dreamweaver. E, depois de lutar umas 48 horas, consegui colocar no ar meu mega portal (que existe até hoje com outras hospedagens pagas) ,

A atividade que eu mais gostava era o fórum de poesia. Passávamos todas as madrugadas teclando, fazendo poesias, trocando mensagens… Agora já estávamos no ano 2000 e eu participava de vários fóruns de poesia. Foi num desses fóruns de poesias que conheci o Marc Fortuna. O fórum era constituído por poetas do Portal Blocos, Leila Miccolis, Uhracy Faustino e outros grandes poetas e amigos que se reuniam todas as noites para poetar… Nós trocávamos elogios, fazíamos poesias coletivas e até chegamos a agendar alguns encontros presenciais dos poetas participantes, mas não se concretizaram e o contato continuou só pela Internet mesmo.

Não lembro bem a data, só sei que foi em 2001, notei as poesias do Marc dedicadas à sua avó Dora. Ele postava todas as noites e fiquei sabendo que a avó dele estava internada num hospital em São Paulo – SP – Brasil. Ele morava na Inglaterra…

Certo dia, ao ler uma linda poesia que ele postou, eu comecei a pensar:

– De que adianta esse rapaz escrever poemas tão lindos se a avó dele está internada e não tem acesso a eles?

Então eu o contatei e perguntei se ele gostaria que eu imprimisse os poemas e fosse ao hospital lê-los para a avó dele. Ele pareceu emocionado quando respondeu com uma pergunta: se eu faria mesmo isso, afinal ele era um desconhecido. Eu garanti que faria, não importava que fosse um desconhecido, era alguém que sofria pela ausência e doença da avó. Não me custaria nada fazer algo para amenizar este sofrimento…

Ele autorizou-me a imprimir os poemas e, assim que pude, fui ao hospital. Quando falei para a enfermeira que leria algumas poesias para a vó Dora, ela vibrou. Disse que amava poesias, se poderia ouvir também. Eu concordei. Ela ajudou a vó Dora a sentar-se e as duas ficaram ouvindo minha leitura. A companheira de quarto da vó Dora também pôs-se a ouvir. Uma enfermeira que passava pelo corredor, ouviu e também entrou no quarto. Quando terminei a leitura, já havia uma “plateia” de quatro pessoas. No segundo dia, quando entrei no quarto, a vó Dora já estava sentadinha esperando e, ao lado dela, não só as quatro ouvintes do dia anterior, mas também outras pacientes e enfermeiras. Foi assim que, no terceiro dia, o quarto mais parecia um teatro com lotação esgotada e eu uma grande atriz declamando belos versos.

Quando terminei a leitura, uma das enfermeiras suspirou e comentou:

– Que amor desse neto pela avó, meu Deus! E que pena ele estar tão longe…

Outra enfermeira disse:

– Pode estar fisicamente longe, mas com este anjinho aqui trazendo e lendo as poesias dele, ele fica mais perto da avó…

Emocionada, eu me levantei e já me encaminhei à porta, dizendo:

– Bem, agora o anjinho tem que atender outra ocorrência…

– Por quê não fica para encontrar a família dela? Eles perguntaram por você.

– Perguntaram? O quê perguntaram?

– Nós comentamos que você tem vindo aqui ler as poesias e a dona Dora está até melhor, mais disposta. Disseram que querem te conhecer.

Meio desconcertada eu saí dizendo que numa outra hora eu os esperaria. Só neste dia eu me dei conta do que estava fazendo. Eu ia ao hospital, lia os poemas, saia, escrevia ao Marc relatando como a avó dele estava e não percebia que estava invadindo a privacidade de uma família que eu nem conhecia. E se não gostassem de mim? E se nunca nos conhecêssemos? Na verdade eu pensava em ler os poemas e só. Confesso que me espantei com o fato de podermos nos conhecer um dia.

Fui ler os poemas por mais dois dias e consegui sair sem ninguém da família me ver. Mas, no sexto dia, a mãe do Marc chegou antes do horário. Eu ainda estava no quarto quando ela entrou. Ela apresentou-se e me agradeceu pelo que eu estava fazendo. Respondi que nem precisava agradecer, estamos aqui neste planeta pra ajudar uns aos outros… Logo estávamos conversando como amigas e eu me senti bem com eles.

Neste dia iniciamos uma grande amizade. O Marc veio ao Brasil, justamente para ver a avó que tinha tido uma espécie de recaída. Nos conhecemos pessoalmente. Ele me trouxe alguns presentes, me agradeceu muito pelo que eu fazia pela Vó Dora e devo confessar que foi uma das poucas pessoas que me agradeceu. Eu já estava tão acostumada com ingratidões, que até espantei-me com tanto carinho dele e da família dele comigo. Cheguei a ficar uns dias no sítio da família e tenho grande carinho por todos. E o Marc visitou meu Espaço Cultural aqui em São Paulo. 

Infelizmente a vó Dora faleceu naquele mesmo ano, mas a grande amizade que construímos e as boas recordações seguem até hoje. Achei que deveria escrever este relato. É uma homenagem à nossa bela amizade e uma recordação de um tempo em que a Internet era um local agradável em que conhecíamos pessoas de bem. Hoje em dia, ao menos para mim, tornou-se insegura. Recentemente passei por apuros ao estender a mão a algumas pessoas e acho que a Internet não é mais a mesma. Por isso valorizo tanto as pessoas, como o Marc Fortuna e família. Pessoas de bem que quero ter sempre em meu círculo de amizades.

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